domingo, 30 de janeiro de 2011

A História da Escravatura Humana





Será que ninguém se perguntou, pelo menos uma vez na vida, que a necessidade/obrigatoriedade de ter fazer algo que não se gosta, o resto da sua vida, mesmo que o convençam que o trabalho dá saúde, é bom, e todas as outras tretas que nos enfiam na cabeça, como a honra do trabalho, é escravatura? 


"Ser verdadeiramente livre é simultaneamente muito fácil e muito difícil. Evitamos o horror da nossa escravatura porque é demasiado doloroso olhá-la directamente. Dançamos à volta da violência infindável do nosso sistema moribundo porque tememos os ataques dos nossos colegas de rebanho. Mas apenas podemos ser mantidos nas jaulas que recusamos ver. Acorda! Para ver a fazenda é necessário deixá-la."


Red pill or the blue pill?

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

A Oeste Nada de Novo



“All Quiet on the Western Front” ou em português “A Oeste Nada de Novo” é um extraordinário filme norte-americano de 1930 realizado por Lewis Milestone baseado no romance com o mesmo nome de Erich Maria Remarque.
Este filme narra a história de um jovem alemão, Paul Bauman, no contexto da Grande Guerra. Desde a sua doutrinação na escola para a guerra: a honra; a glória; o dever; a missão; a Pátria - que o levam a voluntariar-se entusiasticamente para a frente de batalha, até ao confronto com a realidade: a morte, a fome, a estupidez humana, a crueldade, o desespero etc.
E é aqui que começa a parte mais importante do filme, quando Paul e amigos começam a raciocinar e a pensar sobre as causas desta guerra e das guerras em geral e especulam se é o Kaiser ou as grandes empresas que precisam da guerra por motivos egoístas ou se simplesmente é uma febre que dá origem a tudo isto. Quando se perguntam: por que estão lutar? para quem? que benefícios ganharão? A nenhuma destas perguntas sabem responder com clareza. Em batalha apercebe-se que o seu inimigo não é o soldado do lado de lá e que estes são tão vítimas quanto ele da doutrina que recebem em casa.
Mais tarde consegue uma licença para se ausentar temporariamente e regressa a casa aonde encontra pessoas extremamente patriotas sem fazerem qualquer ideia do que se passava na frente de batalha e das agruras dos soldados. Decide voltar à sua escola, aonde tinha escutado o professor a discursar entusiasticamente da honra de lutar pela pátria, e encontra o mesmo cenário. O professor agora apresentava este seu antigo aluno, um heróico soldado patriota, aos seus novos pupilos e pedia-lhe para falar sobre a honra de servir a pátria na guerra. Quando Paul conta o que viu, a sua experiência de guerra, da mentira que é incutida às pessoas, logo os novos alunos se levantam e gritam-lhe “traidor”. 
Um dos melhores filmes de sempre em que se destaca, acima de tudo, a mensagem que é dada aos povos do mundo, um filme anti-guerra, fortemente crítico da ideia do patriotismo, um filme que nos leva a pensar sobre a nossa identidade, mas há ainda muito mais para além disto e portanto deve ser visto, revisto e estudado. Um filme fascinante! 
Escusado será dizer que os nazis odiaram o filme, baniram-no e destruíram-no - por razões óbvias - e poucos anos mais tarde deram origem à pior guerra que a Humanidade conheceu. Outros países enveredaram pelo mesmo caminho e esteve banido também em França, Austrália, Itália e Áustria. Pois é, se as pessoas estivessem conscientes da verdade, talvez as guerras não existissem… 

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

A Falsa Democracia



Numa altura em que a Democracia se resume a ir fazer uma cruz num papel e a legitimar um sistema corrupto, que já não serve a ninguém que não aos políticos vencedores e respectivos grupos económicos e interesses que sustentam a vitória, usado e abusado para distribuir “tachos” pelos militantes do partido - os primeiros credores da vitória eleitoral - e a fazer passar leis que beneficiem estes grandes interesses económicos que os apoiaram e apoiam na difícil tarefa de obter e manter o poder.
De resto, fazem o quê? Não têm poder para muito mais: a braços com uma dívida monumental, impossível de pagar, refém dos investidores, que especulam deliberadamente para obtenção de mais lucros; poderes antagónicos/partidos políticos que tudo fazem para denegrir qualquer eventual bom trabalho que algum governo possa fazer - é esse o seu papel, criticar o governo mesmo que esteja a fazer algo positivo; grupos/sindicatos que não têm qualquer interesse no bem geral mas apenas no grupo que defendem e que inviabilizam qualquer reforma necessária em prol do bem estar da sociedade. Numa Democracia refém deste sistema corrupto, um voto é pactuar e legitimar a vergonha, onde até encontramos socialistas com políticas neoliberais, de olhos fechados perante o capitalismo selvagem, evidenciando como os partidos, os ideais, os homens,  se curvam perante o poder económico.
Como tem sido evidente ganham aqueles que conseguem vender melhor e para vender bem é preciso um forte apoio financeiro e os políticos inevitavelmente caem numa teia que não se conseguem livrar (também é verdade que muitos não sentem qualquer problema). Ganham-se eleições com o candidato a propor o contrário das ideias do actual regente - boas ou más - e que agradem aos lobbies que financiem a sua campanha. Integridade, honestidade e competência já não ganham eleições. Em Democracia ganha o espectáculo, a ilusão, a aparência, a mentira, aqueles que melhor consigam conquistar o tal eleitorado “big brother” que acredita que mudando do PS para o PSD e vice-versa lhe vai trazer alguma melhoria na sua vida e sente-se realizado por ter o poder por castigar o governo.
Grande ilusão e facilmente se apercebem disso e passam pouco depois a dizer mal de quem acabaram de eleger e a clamar por quem tinham deposto. Nesta altura não consigo olvidar-me das palavras do prof. José Hermano Saraiva que afirmava categoricamente: ‎”A democracia quer dizer que o maior número tem razão. Alguém acredita nisto? Neste país de analfabetos, o maior número é de primatas e são eles que mandam.”  Mas não me parece verdade (excepto a parte dos analfabetos), é apenas uma ilusão, pois, não há uma verdadeira escolha, é um ciclo repetitivo de partilha de poder em que o povo hoje, muito convicto, diz mal de uma cor e pouco depois da outra. No entanto há uma diferença grande em relação a uma ditadura efectiva: o político tem que convencer o povo. Mas é fácil convencer o rebanho com as artimanhas certas e perpetuar o poder. Há campanhas constantes para que não haja qualquer desvio dos poderes principais - PS e PSD - considerando todos os outros partidos ou movimentos de radicais, estigmatizando-os na sociedade, não dando espaço público a outras ideias e por conseguinte estando tudo preenchido com políticos afectos às forças dominantes. Sendo a imprensa pertencente dos grandes grupos económicos, percebe-se a fragilidade da Democracia que temos.
Já alguém explicou ao povo o que é o Socialismo? Marx? Anarquismo? Comunismo? Sequer a Social Democracia? Ao povo são-lhes dados nomes para fazerem uma cruz e elegem o que aparenta ser mais sério ou até, quiçá, no mais bonito, pois estou seguro que muitos não fazem ideia do que representam as pessoas em que estão a votar. Um sistema em que aquele que tenha mais propaganda tem mais hipóteses de ganhar é um sistema erróneo desde a sua origem. Uma Democracia em que o povo não está elucidado não é uma verdadeira Democracia, é a demagogia que reina.
O futuro económico não depende do partido A ou B (socialistas ou sociais democratas) nem do Presidente C ou D (apoiados por estes dois partidos), por isso, o acto eleitoral pouco mais é do que uma farsa em que mesmo os Socialistas já não são garante de mais liberdades e progressos sociais em razão do problema económico. Ainda podemos ir ao ponto do José Saramago: numa altura em que o verdadeiro poder está nos bancos e as nações estão reféns destas instituições não democráticas, que democracia é esta? Votar, neste momento, é como ir à missa, pode ajudar um crente a sentir-se melhor, mas tem algum resultado prático? 
Um Presidente eleito com 25% dos eleitores é uma evidência de como esta Democracia está a definhar e às portas da morte, mas os beneficiados do sistema - partidos e grupos económicos - continuam e continuarão a propalar a ilusão e a assobiar para a lado até o sistema colapsar. O que é que se seguirá? Essa é uma boa questão…

A Farsa


O sistema continua, é verdade, mas parece, também, que cada vez mais há portugueses lúcidos. Porquê? A abstenção, votos nulos e votos em branco bateram todos os recordes:
  • Abstenções - 53,4%
  • Votos em Branco - 4,3%
  • Votos nulos - 1,9%
Saltaram logo a terreno os partidos que apoiaram o candidato vencedor para afirmar que estes números abstencionistas não lhe beliscam a legitimidade. Será que não? Um candidato que é eleito com pouco mais de 20% dos eleitores inscritos ser considerado o Presidente de todos os portugueses com toda a legitimidade é no mínimo risível. Mas pronto, não os podemos culpar por fazerem o seu trabalho de manter a ilusão de que as suas posições fazem sempre todo o sentido e de tentarem credibilizar o sistema em que se inserem. Um resultado destes, se houvesse alguma vergonha, após este cartão vermelho absolutamente evidente dado pela população portuguesa, no mínimo, não haveria ninguém a reclamar qualquer vitória. Mas não, o circo tem que continuar e portanto, nenhum partido, faz nada para além de oferecer as circunstanciais palavras sobre o assunto, que nós já estamos fartos de ouvir. Ao nível dos jogadores de futebol e treinadores que repetem a cassete vezes sem conta. Exige-se mais! O Povo quer mais! O País precisa de mais!
Enfim, há dias em que acredito que o povo, afinal, não é tão estúpido quanto se possa pensar.
Eu voto Cavaco porque...

As Presidenciais



E é já daqui a umas horas a ocasião de voltarmos a demonstrar ao vizinho que somos tão bons cidadãos, conscientes, interessados nos destinos do nosso país, e que não permitimos que esses infames socialistas ou comunistas tomem o poder. Aliás foram estes que destruíram esse nosso Portugal da ordem e do respeito, esse lugar que Deus abençoou e que ainda querem torná-lo mais desavergonhado. Por isso voto no professor Cavaco Silva, o único candidato que se declarou integrado no regime de Salazar, esse homem que foi considerado pelo nosso sábio povo, o maior português de sempre. O professor é um homem seríssimo que esses vermelhos tentam denegrir com uma campanha sem escrúpulos focada na mentira, na insinuação, na devassa pública à qual nós, portugueses sérios, tementes a Deus e honrados patriotas não podemos ficar indiferentes e por isso vamos votar em massa neste santo homem.
Viva Portugal! Viva a tradição! Viva a santa moral católica!
*Pode haver algo mais estúpido do que um pobre ou remediado votar na direita? Aquela “Política do Espírito” ainda faz mossa passados todos estes anos…


O fim da arte inferior é agradar, o fim da arte média é elevar, o fim da arte superior é libertar
Fernando Pessoa