Um blogue com pretensões de fazer pensar, levantar dúvidas, desassossegar, incomodar. Lutamos por uma sociedade esclarecida, alerta e com sentido revolucionário, que não se conforme com este país de miséria, que condenou grande parte da sua população à "pobreza de espírito" e alienação total. Um país que ainda muito pouco mudou no seu paradigma civilizacional: Deus, Pátria, Família e agora, mais que nunca, entretenimento acéfalo. As verdades inconvenientes, as que não se falam, estarão em riste!
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domingo, 5 de junho de 2011
Controlo da Sociedade
As revoluções andam aí, seja em Espanha ou na Grécia, com milhares de pessoas nas ruas, em frente aos parlamentos nacionais, em praças simbólicas das inúmeras cidades europeias, em Lisboa e no Porto, e o que é que a imprensa nos diz sobre o assunto? Praticamente nada! Nunca foi tão claro como hoje que há informação vital que não querem que saibamos, que não querem de forma alguma consciencializar as massas do que se está a passar, que não querem contribuir de forma alguma para uma luta do povo, que não quer que se lhes retire os direitos pelos quais muito tiveram que lutar. Nunca foi tão claro em que mãos está a imprensa e de que lado estão a jogar.
Nunca foi tão claro que a imprensa contribui para o entorpecimento das massas, passando apenas informação irrelevante: desde os programas de política com os partidos do poder — partidos baseados em corrupção pura e dura — em que se discute irrelevâncias e pouco mais se faz do que insultar o adversário para obtenção do poder, até aos programas mais idiotas que nada ensinam o povo, como os freak shows ou reality shows, telenovelas, talk shows com temas completamente ridículos, futebol, missas etc.
Mas alguém quer ou pensa que vamos ter uma sociedade melhor com este tipo de programação, uma vez que a televisão é a escola da maioria? Alguém quer educar o povo e libertá-lo da sua estupidez? É óbvio que não! É óbvio, que querem seguir a controlar o povo na sua estupidez, seja com a religião (é evidente por que nada fazem para os libertar dessa mentira), seja com velhos dogmas, mitos, generalizações e em último recurso, o exaltar do patriotismo em cada um de nós. Amigos, o nosso inimigo não é o espanhol, o francês, o russo, o argentino, o brasileiro, o chinês, é sim, o capitalista/capitalismo, a "nobreza", é o estado, o clero. São esses que dominam o povo, que o controlam, que nos lançam uns contra os outros, que abusam e riem-se de nós. É preciso estarmos bem cientes disso. Dizerem-nos que não há alternativas para o nosso presente, amedrontando o povo, é a mentira de sempre para levarem a sua agenda avante. Nunca houve tanta desproporção entre ricos e pobres como hoje apesar de todas as mentiras camufladas em programas de ajuda etc.
É engraçado quando olhamos para o passado e vemos como o povo era manipulado e espezinhado pelos poderes reinantes (o clero e a nobreza) e como pensamos que agora nunca seríamos capazes de aceitar o mesmo, mas se pensarmos bem, as coisas continuam iguais, apenas estão mais camufladas.
Como é que no século XXI ainda permitimos a existência de Casas Reais?! Como é que ainda permitimos a existência de religiões?! Como é que aceitamos salários miseráveis quando empresas têm milhões de lucros? Estados cheios de dinheiro e o povo na miséria? Gestores públicos a ganhar milhões e trabalhadores a receber salário mínimo? Porque é que pactuamos com isto?! Só muda com melhor distribuição da riqueza e melhor educação mas o Estado não quer isso. Acorda!
Hoje é dia de eleições: vais pactuar com esta palhaçada? Se vais votar, só o BE e a CDU são partidos que querem alterar este estado de coisas, por isso, pelo menos não pactues com a direita reaccionária. A Direita, ao que tudo indica, vai hoje tomar o Poder em Portugal e aplicar tudo o que tinha almejado desde sempre, mas que o 25 de Abril, a nova Constitução, e os Governos socialistas impediram. Aos idiotas que lhes entregam o poder, que não se queixem daqui por uns poucos meses. Das duas uma: ou Portugal desperta com a miséria que se avizinha ou regressa à Idade das Trevas.
quarta-feira, 26 de janeiro de 2011
O Blasfemo
Ora, vimos no post anterior que afinal o terrorista podia, em muitos casos, não ser a pessoa horrível que nos levam a crer, não é verdade? E o blasfemo será que é alguém horrível, alguém que deve ser calado, torturado e até morto? Bom, durante muito tempo, nas nossas sociedades, passou-se assim e ainda se passa assim noutras sociedades mais retrógradas em que a religião tem peso no Estado. Mas afinal o que é a blasfémia? O dicionário diz-nos: “dito ímpio ou insultante contra o que se considera como sagrado” e ímpio quer dizer: desumano, cruel, homem sem piedade. Que pessoa desprezível deve ser esta pessoa, não? Não, o sagrado, os dogmas, as verdades absolutas devem ser questionadas o tempo todo e nunca as pessoas devem ser impedidas de pensar pela sua própria cabeça. Antes pelo contrário, devem proporcionar às pessoas meios para que possam pensar por si. Mas obviamente que as igrejas não querem que pensemos pela nossa cabeça, daí que, tentem impedir a qualquer um que raciocine e questione as tais verdades sagradas.
Vamos agora colocar-nos no lugar das religiões: Defendiam e todavia defendem teorias que a Ciência já destroçou, mitos sem qualquer sustentação científica, e as pessoas cada vez mais expostas a outras ideias podem a qualquer momento ousar pensar pelas suas cabeças e tornar as religiões inúteis. É sem dúvida um cenário que as religiões pretendem evitar a todo o custo e incutem no povo o medo de ousar pensar diferente: falam-lhes em Inferno, o local mais horrível para quem ousar renegar a Deus ou sequer questionar o que quer que seja. Pelo contrário, para quem tem fé, para quem aceita sem questionar, sem pensar, esses, os mais virtuosos, para esses estará reservado o Céu, o Paraíso. Muito interessante, não é? Em tempos passados qual era a escola do povo? A igreja, pois está claro, e o povo aprendia muito bem a palavra do “Senhor” à qual limitava-se a dizer “ámen”.
Não nos podemos esquecer que a Igreja é uma instituição, e tal como o Estado, faz tudo ao seu alcance para subsistir. E a Igreja não subsiste sem fiéis, não é verdade? A blasfémia foi uma grande invenção para perpetuar o poder e manter os seus fiéis, à custa da ignorância do povo, que sentia, e infelizmente ainda sente, que a sua fé é motivo de orgulho. Quando alguém diz algo contrário à doutrina oficial dos “pastores” estes devem ser julgados em nome de Deus que não aceita qualquer dissidência ao pensamento único. Então, a blasfémia é, apenas, um instrumento para impedir que alguém do rebanho se perca e que possa influenciar as outras.
A primeira linha de defesa desta instituição são os seus próprios fiéis que eram convidados a denunciar todos os casos de heresia que tivessem conhecimento entre eles. Isto passou-se no tempo da Santa Inquisição portuguesa, e outras congregações subsequentes com o mesmo intuito, e daí advém este espírito de bufaria e ódio que perdura até aos nossos dias. Tudo o que é diferente, alguém que se atreve a pensar diferente, a vestir-se diferente, a ser diferente, é imediatamente reprovado pelo rebanho. Isto ainda é sentido hoje, o pecado, a heresia, a blasfémia ainda é algo temido, por muitos, nos dias de hoje. Já não se teme a tortura ou a pena de morte, mas o ostracismo, o estigma, repúdio e maledicência que o rebanho ainda vota ao dissidente.
Este tema será expandido quando abordarmos em concreto as religiões e as mentiras que propagam para perpetuar a elite que beneficia do sistema no poder e o povo resignado à sua sorte pela vontade do Senhor.
A religião é o que impede os pobres de assassinar os ricos. - Napoleão Bonaparte
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