Um blogue com pretensões de fazer pensar, levantar dúvidas, desassossegar, incomodar. Lutamos por uma sociedade esclarecida, alerta e com sentido revolucionário, que não se conforme com este país de miséria, que condenou grande parte da sua população à "pobreza de espírito" e alienação total. Um país que ainda muito pouco mudou no seu paradigma civilizacional: Deus, Pátria, Família e agora, mais que nunca, entretenimento acéfalo. As verdades inconvenientes, as que não se falam, estarão em riste!
sábado, 18 de maio de 2013
Caça aos Lobos
Mais novidades, confirmadas por Lobo Xavier, após os desentendimentos na coligação se tornarem ainda mais evidentes. É preciso ter lata — e não ter escrúpulos nenhuns — para após terem, sem qualquer pejo, destruído a vida de milhões de portugueses, denegrido e vilipendiado, para além de qualquer senso, o ex- Primeiro Ministro, agora virem afirmar que a culpa da "Troika" se encontrar neste nosso pobre país, é culpa da "pressão exercida pelo PSD e pelo CDS-PP". A Alemanha, inclusive, não queria que Portugal enveredasse por esse caminho e Sócrates já tinha, como se sabe, o apoio dos seus parceiros europeus para o evitar mas a pressão incessante da Direita portuguesa levou ao inevitável. Um povo idiota ajudou — e de que maneira — também para o que se passou posteriormente.
Está muito fácil de entender o que se está a passar: os"lobos" achavam que as galinhas não produziam os ovos suficientes para comerem à grande e à francesa e quiseram reformar o galinheiro. Enquanto que o peso das reformas caíam apenas sobre as galinhas estava tudo (mais ou menos) bem e era, portanto, inevitável e até necessário tudo o que fosse decidido pela Troika. Acontece que a Troika, aparentemente, trouxe igualmente caçadores, que, como está fácil de ver, caçam também os lobos e é aqui que começa o sobressalto. E, aparentemente, o que ameaça a destruição da coligação dos lobos é o ataque às reformas, que vão das "bem boas" até às milionárias. E quem é que tem essas reformas? Certamente não é a maioria dos portugueses, mas, sim, as classes privilegiadas que não aceitam perder o seu estatuto acima do comum trabalhador. É decadente ver que poucos aparecem para defender o comum português, que é pobre ou remediado, mas para a sua classe privilegiada e para eles próprios vêm à praça pública indignados porque, agora sim, há uma linha que não se pode ultrapassar. Manuela Ferreira Leite, Bagão Félix, Cavaco Silva — por que será que estão tanto contra o corte nas Reformas (de luxo)? Eu diria porque são reformados e não querem mesmo nada perder os seus privilégios. E que dizer daquele Movimento dos Reformados Indignados? Se aquilo não é gozar com a cara do "pobre zé" não faço ideia o que será. O Paulo Portas, o líder dos privilegiados ameaça romper com a coligação e é bem capaz disso. Afinal ele é líder do seu partido para exactamente isso — proteger os privilégios. Engraçado é ver figuras proeminentes mesmo de outros partidos, até de esquerda — reformados, claro está — a verem o maior demagogo da política portuguesa (Paulo Portas) como a sua bóia de salvação. Uma honrosa excepção para Silva Lopes que aceita cortes de 90% para as reformas de luxo para salvar a coesão nacional e em nome da justiça, sendo ele um reformado privilegiado. Mas segundo ele, a Constituição estará aí para prevenir a perda de rendimentos das elites.
Portugal no seu melhor! A justiça e a igualdade é uma miragem.
sexta-feira, 1 de março de 2013
2 de Março
É já amanhã que está convocada uma nova manifestação em que vale a pena participar porque finalmente há um inimigo que congrega a opinião de todos — a troika composta pelo BCE, CE e FMI e este (des)governo PSD-CDS que estão a levar os portugueses de volta ao nível de vida pré Revolução dos Cravos. Outras manifestações em que não havia qualquer inimigo declarado, em que todos iam por todas e nenhuma razão, foram eventos tontos que não serviram para nada — do ponto de vista do povo, claro está — e mais pareceram procissões à volta do santuário.
A questão é saber o que virá depois do governo cair. Não há soluções fáceis: Se se vota no PS (este PS que se conhece) voltamos ao mesmo, à austeridade, ainda que com algumas nuances sociais. Se se vota no PCP ou BE, o mundo ocidental capitalista, onde nos inserimos, reagirá — como reagiu em 1975 no período do PREC — e não terá qualquer pejo em tentar destruir-nos como exemplo para o mundo.
O que se sabe, no momento, é que com estas políticas não há solução e será cada vez pior. Mais riqueza será difícil, com este ou outro governo, mas é, sim, possível mais justiça e mais equidade social para todos. Não se pode deixar um povo pobre desamparado sem saúde, educação, enquanto que se lhes baixa os parcos rendimentos de que usufruem. É um genocídio à vista de todos.
Amanhã não faltes se não pactuas com este governo!
domingo, 6 de janeiro de 2013
Escola
«Aqueles que exercem o controlo sobre o aparelho educativo deveriam ser referidos como uma classe de "comissários". Os comissários são os intelectuais que trabalham na primeira linha para a reprodução, legitimação e manutenção da ordem social dominante, da qual colhem benefícios. [...] Para se manter um sistema de seguro social em bom estado de funcionamento para os ricos, é preciso ter uma classe empresarial altamente consciente. As outras pessoas têm que ser convencidas de que vivem numa sociedade sem classes. As escolas sempre estiveram ao serviço da manutenção deste mito.» — Noam Chomsky
«A escola é a retrete cultural do opressor»— João César Monteiro
Nothing Changes on New Year's Days
Novo ano e a regressão e depressão acentua-se, mas nada inesperado acontece a quem se predispõe a pensar e a não seguir a manada. A notícia de hoje, a mais apelativa para o rebanho, é de que as sete maiores fortunas portuguesas aumentaram a sua fortuna em 13%. Mas qual é a surpresa se estamos todos a empobrecer e se o dinheiro não se evapora? Pois se os salários descem, os despedimentos são mais baratos, as indemnizações são cada vez mais irrisórias quem acaba, inevitavelmente e obviamente, por beneficiar? Pois, não há grande surpresa.
O mundo está cada vez mais perigoso e consequentemente o ser humano, que é um animal muito manhoso, especialmente quando vive em condições financeiras débeis em que o factor sobrevivência se sobrepõe ao civismo, educação e humanismo. A tolerância pode estar em questão, particularmente se este desespero for usado por grupos de extrema direita, sem escrúpulos e liderem este povo, tal como ainda bem recentemente, por exemplo, era completamente usado pela Igreja Católica para intimidar e forçar o individuo a ceder perante o colectivo (interesses da igreja) em quase todos os aspectos da vida. Este regresso à pobreza extrema, que se afigura, só trará mais intolerância, mais estupidez, mais ovelhas para os donos deste pobre país. Sem dinheiro, não há educação e sem educação não há saída da estupidez para ninguém. Mas também é verdade que a perseverança deste país e dos ricos deste país, reside na estupidez do rebanho, por isso, assim, não há um futuro decente para os portugueses.
segunda-feira, 19 de novembro de 2012
Basta!
Uns dias depois de uma histórica Greve Geral Ibérica — e também grega, juntamente com manifestações de solidariedade de outros movimentos de esquerda europeus — que culminou com manifestações um pouco mais agressivas junto ao Parlamento Nacional, mas mesmo assim nada comparado com o que vemos em Espanha e Grécia, e já ouvimos de tudo para assustar o povo para actos que não se considerem pacíficos. "Não há tolerância pela violência", "são grupos estrangeiros profissionais de violência", "somos um povo pacífico e estes bandidos não podem ficar impunes" etc.
Afinal são todos portugueses, com a excepção de um italiano, mas devem ser dos que não são mansos e por isso devem ser veementemente repreendidos. Por outro lado, já não interessa que muitos foram detidos ilegalmente, que não permitiram que os detidos vissem os seus advogados, que estivessem detidos por mais horas do que é permitido por lei, os detidos serem intimados a assinar papeis em branco, serem humilhados ao ponto de se forçados a despirem-se integralmente, violentados verbalmente, além de um ataque indiscriminado contra todas as pessoas que se encontrassem pela frente da polícia. Essa lei da selva, sim, já vale.
Lembrem-se que quem tem a coragem hoje de derrubar governos que massacram o seu próprio povo, amanhã serão recordados como heróis, embora hoje sejam apelidados de energúmenos e terroristas. Já está mais que visto que em Portugal manifestações pacíficas não funcionam porque somos um povo de cobardes, que prefere adoptar a posição do "senhor doutor" a ser apelidado de comunista, terrorista, radical — um horror acéfalo a ser mal visto pelos outros — e portanto nunca terá o apoio massivo da população; a não ser, claro está, que estas sejam convocadas pela imprensa nacional. Já que ninguém os defende, eu louvo a coragem desses jovens que tiveram a ousadia de dizer basta e demonstrarem que começa a fartar o abuso à nossa tolerância.
quinta-feira, 18 de outubro de 2012
Hipocrisia
Agora que começam a tocar nos que vivem bem melhor é que o Governo começa a estar em perigo. Enquanto apenas se cortava nos mais desfavorecidos, nos apoios sociais a estes, era uma inevitabilidade e "todos" tinham que pagar os anos de desvario dos sucessivos governos — para o povo, em especial, era o governo do Sócrates. Agora, que começa a tocar a outros, de um nível mais alto, dizem que finalmente atingimos o limite. Bem dizia o Pacheco Pereira, há uns tempos atrás, que os pobres estão habituados a ter pouco, a aceitar a discriminação e não fazer valer os seus direitos, mas os da classe média, esses sim, seriam os que poderiam pôr em risco a austeridade. E agora vemos a imprensa todos os dias com notícias contra o governo, contra Passos Coelho, contra o PSD, quando há pouco mais de um ano eram exibidos ao povo como os salvadores da pátria. O CDS, antevendo o descalabro nas próximas eleições, tenta, como pode, demarcar-se das políticas do governo que apoiam, preparando já um cenário pós-apocalíptico em que terão muitas dificuldades em convencer as pessoas do efeito benigno deste partido. Os "senadores" que se vêem a perder grande parte das suas reformas chorudas não param de bramir contra esta austeridade. Pensavam que não se atreveriam... Onde a pobreza mora a hipocrisia reina. Uma revolta é possível, mas só à custa da hipocrisia em que cada um apenas olha aos seus interesses.
quarta-feira, 26 de setembro de 2012
Que Se Foda a Troika!
Depois do 12 de Março e do protesto da geração à rasca do ano passado, parece que nada aconteceu, senão a queda do governo anterior. Aparentemente o povo ficou feliz e estávamos de volta ao normal. Isso poderia ser a ideia de um idiota desinformado, mas o que se passou com os líderes iluminados que convocaram essa grande manifestação apolítica? Aparentemente conseguiram trabalho e nunca mais se ouviu falar deles. Que tristeza de gente, que apenas fazem as coisas para salvar o seu próprio pescoço e depois abandonam de novo o povo à sua sorte.
Felizmente, surgiu um novo movimento: "Que Se Lixe a Troika - Queremos as Nossas Vidas" — e parece ser um movimento a sério, com pessoas bem intencionadas, como me parece ser João Camargo, que sabem bem identificar os inimigos do povo e não está aqui com "pezinhos de lã" de que isto é um movimento apolítico e de que não é contra nada nem ninguém. Depois do enorme sucesso da manifestação do dia 15 passado, apelaram já às pessoas para se associarem à manifestação convocada pela CGTP - um sindicato ligado aos comunistas. Notável! É assim que podemos fazer a diferença, sem parar, porque não é com uma manifestação pacífica a cada ano que as coisas vão mudar e os sindicatos estão do lado dos oprimidos.
Apenas uma crítica a esta movimento: não há que ter vergonha de dizer "que se foda a troika". Já chega desses puritanismos que até em momentos de desespero não se pode dizer um palavrão.
Há pessoas que traíram a confiança do povo e que se fartam de roubar e ludibriar de todas as maneiras possíveis e devem ser identificadas, assim como os partidos a que pertencem e fazer entender às pessoas que não são todos iguais. Mas não são só os partidos, é todo o poder económico que corrompe os partidos, os donos de Portugal — são esses, também que devem ser combatidos, porque são esses que nos mantêm escravizados e que não largam mão de nos manter na mesma situação de opressão de sempre. Fim da escravatura! Fim dos privilegiados!
O Capitalismo é um sistema que privilegia os ricos e abandona os explorados de sempre à sua sorte e por isso deve ser combatido porque já não serve sequer a maioria da população do nosso país e de muitos outros países ocidentais. O Capitalismo é a nobreza, é banqueiros, é Monarquia, é oligarquias, é exploração, é roubo, é especulação, é mentira, é fome, é violência, é competição sem limites, é poluição, é desrespeito, é corrupção etc. Enquanto o Capitalismo gerava riqueza mas de alguma forma integrava e protegia os mais débeis até poderia ser tolerável, mas quando verificamos que se querem desfazer dos débeis e manter o sistema, estas pessoas simplesmente têm que ser erradicadas sob pena de sermos erradicados nós.
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